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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Suspiros de baunilha

Suspiros de baunilha by jcoarq
Suspiros de baunilha, a photo by jcoarq on Flickr.
Quando fui, pela primeira vez, fazer suspiros, me lembrei das tardes em que eu e minha irmã chegávamos na casa de minha avó Joana e nos deparávamos com formas e formas de lindos suspiros, feitos por ela e minha Bisa. Com estes suspiros e com muitos torrões de açúcar, que derretiam na boca, minha avó nos conquistava. Minha irmã também conquistou! Conquistou várias idas ao dentista, graças a estes torrões.
Mas, só pela doce recordação, já valeu a pena. Afinal para mim suspiros eram sinônimo de boas lembranças da infância.

Na pressa, não consegui achar o telefone de Dona Joana e portanto, liguei correndo para minha mãe, no intuito de ela me  passar a receita dos tais suspiros.

Para meu desespero, já que neste momento eu já tinha batido minhas claras em neve, e só queria ouvir aquelas dicas preciosas que toda cozinheira tem, minha mãe não estava em casa e portanto, nada de receita!!!

Enfim, busquei no Oráculo que, como já disse em outra postagem, é o pesado, mas valioso, livro da Dona Benta. E lá, apesar de erros na montagem do índice de ingredientes, achei uma receita básica de suspiros, que resolvi aprimorar. Para os que já procuraram e não acharam esta receita ela fica na página 788.

Obviamente, já sabia que suspiros eram feitos de claras e açúcar, podendo aventualmente aparecer uma raspa de limão, que eu, particularmente, adooooro.

Mas com uma fava de baunilha em mãos, resolvi inovar.

Já havia utilizado o interior da fava em um creme, para outra sobremesa. Então,  peguei a casca restante da fava e coloquei-a no liquidificador. Bati esta casca com aproximadamente 02 xícaras de chá de açúcar. Com este açúcar saborizado fiz meus suspiros da seguinte forma:
Bati 2 claras em neve até ficarem firmes. Acrescentei, uma a uma, 4 colheres deste açúcar saborizado e continuei batendo por mais alguns minutos.

Para assar basta forrar uma assadeira (ou tampa como diria minha sogra) com papel manteiga e ir desenhando os suspiros com a ajuda de saquinhos para confeiteiro ou um saquinho plástico comum com a pontinha cortada. Como na foto.
Leve ao forno pré aquecido, em temperatura mínima  e retire os suspiros quando eles estiverem secos.
O sabor da baunilha é nítido e marcante, além de substituir muito bem o limão quando queremos variar o sabor dos suspiros.
Beijos com muitas saudades para minha querida Vó, e que estes suspiros adocem a vida de muitas netos saudosos.

domingo, 19 de junho de 2011

O grande dia...

O grande dia chegou... depois de muito ensaio e muita barriga no fogão, inicio hoje minhas postagens. Espero que elas não sejam raras, mas acredito que me ausentarei por diversas vezes.

Bem, como ainda não encontrei uma forma de relacionar aqui, nesta interface, os motivo pelo qual resolvi criar este blog sobre culinária, deixarei nesta postagem apenas uma receita que fiz hoje para dois amigos que me visitaram, e é claro para meu grande incentivador e apreciador da boa culinária, meu marido.

O menu do dia era: costelas suínas assadas num molho de vinagre acompanhadas por um risoto de funcho que há tempos queria provar. O sabor do funcho sempre me foi uma curiosidade, já que num primeiro momento tinha a falsa noção de que se tratava de uma iguaria que apenas daria aroma aos meus pratos. Minha suspeita não foi comprovada, já que o sabor do funcho é muito marcante e adocicado. O risoto ficou bom porém como este era meu primeiro contato com essa herbácea acredito ter colocado pouco, na próxima acrescentaria mais um bulbo, para então descrever qual minha verdadeira impressão sobre o funcho. Me aguardem...

Saboreamos tudo com um vinho californiano que não achei muito legal, o Oak Leaf - Cabernet Sauvignon.

Terminada a apreciação dos pratos do almoço, servi uma sobremesa criada hoje, por mim, que ainda não a batizei.

Dentro de pequenos potinhos coloquei uma cama feita de um creme com os seguintes ingredientes:
1 lata de leite condensado;
1 lata de leite de vaca;
1 e meia colher de maisena;
3 gemas;
e a raspa do interior de uma fava de baunilha.

Sobre este delicioso creme foram dispostos suspiros feitos a partir de três claras de ovos e seis colheres de açúcar, previamente batidas num mixer com o que sobrou da minha fava de baunílha. Este açúcar ficou maravilhoso e extremamente perfumado.

Os supiros foram ao forno e depois para cima do meu creme. Sobre os suspiros joguei uma calda que a classifico como `gosto de coisa chique´, já que sua mistura de ingredientes cria um aroma e um sabor que nos remete a um universo sem igual (e olha que doces não são o que mais gosto de comer).

Enfim, esta calda é feita de um copo de vinho tinto, um copo de água, 100 gramas de uva passa branca, cinco cravos da índia, um pau de canela, duas colheres de mel e uma xicara de açúcar. Deixe ferver e guarde na geladeira. A calda acompanha várias coisas, desde simples sorvetes até bolos e cremes, além de perfumar toda a casa quando está fervendo.

Juntos, eu, meu marido, Gisele e Sérgio chegamos a conclusão de que a mistura ficou ótima e terminamos a tarde com um cafezinho adoçado pelo açúcar saborizado, os suspiros e uma boa prosa com o Chico Buarque, no DVD, é claro.

Bem, hoje fico por aqui lembrando das pessoas que me inspiraram nas receitas deste dia, e que com certeza vou mencioná-las por mais uma infinidade de vezes, por se tratarem de mulheres, na sua maioria, que me mostraram como pode ser saborosa a vida. São elas: minhas duas amadas avós (Joana e Adelina), uma por seus deliciosos suspiros, feitos na minha infância e a outra por seus temperos para assados que chego a sentir o cheiro, principalmente os de carne suína; mas também não poderia deixar de mencionar a Vírgínia, tia do meu marido e que me apresentou a tão delicada calda para minha sobremesa.

Beijos a todas e todos.